domingo, 9 de junho de 2013

Bem Alto!


- Aqui mãe!
- Ah, você quer se balançar?
Pego a criança no colo. Tem apenas 1 ano e 5 meses e já quer se pendurar na barra que antes servia de suporte para os balanços no parque da creche. Começo a lembrar. Parece que não faz tanto tempo que eu estendia um edredom no chão da sala e deixava um bebê lá deitado,  de bruços, com alguns brinquedos espalhados para incentivar os seus movimentos ao tentar buscá-los.  Parece que foi ontem que começamos a frequentar a creche , mas já faz  um ano, e quando começamos, as mamães se juntavam em verdadeiras "redes sociais" formadas por cangas, que permitiam aos bebês ficarem ao abrigo das formigas e da grama, quase sempre levada à boca.
O tempo passou muito rápido para uma mãe que trabalha o dia todo e estuda a noite. Aquele bebê que mal conseguia se virar para os lados bem depressa passou a sentar-se, a engatinhar, a andar... E agora me pede para colocá-la pendurada numa barra, com altura maior que a dos meus braços esticados:
- Aqui mãe!
- Tudo bem. Então vamos nesse aqui que é mais baixinho.
Então ergo  minha filha e ela se agarra na barra. Testando sua força, busca tirar o corpo das minhas mãos. Eu a solto mas faço uma "cadeirinha" com os braços em volta dela.
- Balança caixão, balança você, dá um tapa no bumbum...
Puft! A seguro ainda no ar, evitando a queda. Ela suspira e vibra, erquendo os bracinhos nba direção da barra mais alta:
- Esse mãe! Aqui no alto mãe!

(Escrito por Ewelyn, mãe da Laura, de 1 ano e 9 meses)

sábado, 8 de junho de 2013

Walter Benjamin


O link abaixo é de um trabalho apresentado em um congresso que teve como objetivo apresentar uma análise do ensaio "O Narrador" do filósofo alemão Walter Benjamin.  É um texto interessante para saber um pouco mais sobre a obra e para instigar o desejo de ler a produção do filósofo.

http://conferencias.ulusofona.pt/index.php/lusocom/8lusocom09/paper/viewFile/61/37

Leituras partilhadas

Sobre o texto: "Proposta pedagógica: História de vida e formação de professores", Elizeu C. de Souza. 

SOUZA, E.C.de. Proposta pedagógica: História de vida e formação de professores. IN: Histórias de vida e formação de professores. FAPERJ/Quartet: Rio de Janeiro, 2008.

 Comentários e citações interessantes:

* Esta parte inicial do livro organizado por Elizeu C. de Souza, apresenta o objetivo deste como sendo o de discutir questões teóricas sobre as histórias de vida e dimensões concernentes às práticas de formação (SOUZA, 2008, p. 3). Os trabalhos apresentados são, de acordo com o autor, centrados em histórias de vida, diários biográficos e narrativas de formação, de modo a dar relevância e enfatizar o professor aprende a partir de sua própria história. 

* A perspectiva de pesquisa denominada abordagem experiencial e utilizada no texto toma a experiência do sujeito adulto como fonte de conhecimento e de formação. 

*Citações interessantes:
"A narrativa (auto) biográfica - ou, mais especificamente, o relato de formação - oferece um terreno de implicação e compreensão dos modos como se concebe o passado, o presente e, de forma singular, as dimensões experienciais da memória de escolarização e de formação. (...) Desta forma, as implicações pessoais e as marcas construídas na trajetória individual/coletiva, expressas nos relatos escritos, revelam aprendizagens de formação e sobre a profissão." (Idem, p. 4)
"O que é a educação senão a construção socio-histórica e cotidiana das narrativas pessoal e social? O cotidiano humano é, sobremaneira, marcado pela troca de experiências, pelas narrativas que ouvimos e que falamos, pelas formas como contamos as histórias vividas." (Idem, p. 5)



Afinando a discussão


Um pouco da discussão que propusemos durante trabalho realizado na disciplina "Seminário de Educação, Cultura e Artes" (EP 814 A), da Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, que resultou nas experiências narradas e partilhadas nesse

1.     Tema: Educação Infantil (Narrativas)
2.    Palavras-chave: narrativas - culturas infantis – professores – famílias – crianças.
3.     Objetivos:
  Trabalhar com narrativas de professores, famílias e alunos sobre fatos importantes vividos na infância, atentando para os sentimentos, sensações que emergem das memórias relatadas.
  Observar como as vivências dos professores/ famílias na infância refletem no trabalho de educação que desenvolvem com as crianças na atualidade.
   Identificar aspectos/ fatos semelhantes que aparecem nas produções, tentando estabelecer certo padrão de valores, mentalidades e práticas predominantes durante as gerações, em um fluxo contínuo de geração em geração, observando-se, portanto, a formação de culturas.
   Refletir a respeito da relação existente entre as sensações despertadas pelos ambientes, pelos brinquedos, pelas texturas, pelos cheiros, entre outros, e o prazer da atividade pedagógica desenvolvida.

5.   Desafios/ problemas:
  Recolher fotos, objetos, receitas, músicas, histórias, brinquedos, objetos de transições, produções da infância, retomar tradições que sejam significativas no processo de rememorar o tempo vivido.
   Refletir sobre como as vivências da infância se fazem presentes na formação e práticas do professor/ educador e como isso acaba gerando uma cultura que é transmitida no decorrer do tempo. na interação entre indivíduos.
     Relacionar o estímulo dos sentidos com a memória do vivido e seu significado nas práticas cotidianas

6. Desejos/utopias/sonhos: Despertar nos ouvintes a recuperação de suas memórias de infância permeadas pelos estímulos dos sentidos e deste modo conduzi-los a refletir no sentido de perceber a relação destas memórias com suas vivências cotidianas.

7. Referências bibliográficas: Pretendemos usar como referências bibliográficas o livro “Histórias de vida e formação de professores”, de Elizeu Clementino de Souza e o texto “História, currículo e práticas pedagógicas: sobre memórias e narrativas”, de Maria do Carmo Martins.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Neusa Ap. de Lima (Mãe da Angela) - NARRATIVA - MINHA PEQUENA...

Neusa Ap. de Lima (Mãe da Angela)
MINHA PEQUENA...
Angela era um bebê lindo, com os olhos claros e gordinha. Era um bebê muito risonho, sorria para todos que olhavam para ela. Demorou a andar, andou com um ano e quatro meses.
Lembro-me da primeira vacina (BCG) que aquela criatura pequena teve que tomar. Chorou um choro tão sentido, que chegou a me apertar o coração. Chorei junto com ela. Depois desse dia, sequer tive coragem de furar sua orelha.
Lembro-me, também, do primeiro dia que Angela foi à escola, tinha apenas 6 (seis) anos. Ficamos na fila da entrada cerca de meia hora. Até aí, Angela estava firme para entrar. Entretanto, quando os portões se abriram e os professores pediram para deixa-la na fila, seus olhos encheram de lágrimas, como se ela dissesse:
- Mãe, não me deixe aqui sozinha.
Nesse dia, inúmeras crianças deram “show” para não ficarem sozinhas na escola, longe dos pais, mas Angela engoliu o choro e acompanhou a professora.
Naquele dia, eu voltei para o trabalho chorando de “dó” por deixa-la sozinha.
Angela não deu trabalho para largar da mamadeira. Aos 4 (quatro) anos, ela ainda mamava na mamadeira. Certo dia, ela acordou e pediu mama. Eu respondi:
- Sua mamadeira está suja, vai lavá-la que eu faço seu mama.
Ela então respondeu:
- Tem copo limpo?
Eu disse:
- Sim
Ela disse:
Então faz no copo mesmo!
Depois desse dia, nunca mais ela mamou na mamadeira.
Angela demorou a aprender a ler. Não tinha “Cristo” que a fizesse aprender. Tentava de tudo para fazê-la aprender. Mas ela parecia que tinha vergonha por não conseguir ler. Eu ficava com dó e parava de atormentá-la com o “Be-a-ba”. Foi aprender a ler já na segunda série. Quando aprendeu, finalmente, lia tudo que via pela frente. Chegava a nos incomodar, lia placas/outdoor/banners, etc. Até hoje ela lê tudo que vê e sempre está com um livro nas mãos.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Chupeta



Ela não aparece em muitas fotos. Quando a vejo, encontro-a sempre pendurada em minhas roupas ou próxima ao lugar onde estou. É dela que me lembro. O gosto de borracha babada, mordida, desgastada.

Durante a tarde, na pré-escola a professora diz que não posso usá-la sempre. Entre um momento e outro, corro até minha bolsa, coloco-a um pouco na boca e guardo. Só quando estou triste e chorando muito é que a professora deixa que eu fique com ela.

Depois de muita conversa, acordos e desacordos, naquela tarde eu decidi: "Não vou mais usar chupeta!". Contei pra professora. Festa!! Minha mãe chegou. A professora lhe contou. Festa!! Em casa, joguei fora a principal e as reservas. Mesmo fraquejando, não voltei a usá-la.

O tempo passou. Adquiri outras manias. Esqueci as chupetas e suas cores. Mas, do gosto, do conforto, da segurança que esse gosto tinha... Lembro até hoje. Até tentei chupar uma chupeta de novo, tempos depois. Pedi tanto que minha mãe cedeu. Me comprou uma. Mas aquele não era o gosto da minha chupeta... Não tinha mais aquele gosto de borracha... babada, mordida, desgastada.

Narrativas familiares



Bicho de pé
Ana Lúcia Marcelino Perol da Silva.
Nascida em Lupionópolis, Paraná, mudou-se para Mogi Mirim, interior de São Paulo aos três anos de idade. O texto a seguir, nasce a partir da proposta de rememorar fatos importantes e marcantes de sua infância.

Fevereiro era o mês mais esperado durante o ano escolar. Chegava o final do ano, boas notas, e férias escolares; boas festas e a família se reunia para celebrar o Natal e o Ano Novo. A prima muito querida vinha festejar com a família e passar o mês de janeiro em nossa casa. Muito divertimento, muitas brincadeiras, principalmente à noite, na rua, com os amigos da vizinhança. Naquele tempo podia... Pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, queimada, etc.. Tempo maravilhoso, tão diferente de hoje...
Janeiro passava tão rápido e o mês de fevereiro, também muito esperado, chegava. Era o mês das férias do papai. As aulas já estavam para começar, mas quinze dias eram sagrados e reservados para a viagem em família para o sítio dos avós maternos, no interior do Paraná.
Quando chegava lá, já estavam a me esperar uma prima e o tio caçula, quase da mesma idade. A prima trabalhava dobrado na roça meses antes para poder brincar nos dias que passávamos lá. Muitos pés de café, goiabeiras enormes com frutas deliciosas e um córrego de água cristalina, no qual brincávamos de tomar banho estancando a água próxima a nascente. O balanço era numa gigantesca seringueira, perto do poço onde minha avó lavava a roupa.
Esses eram os melhores quinze dias do meu ano! Por anos, durante o primário, quase sempre trazia uma companhia para a primeira semana de aula: o bicho de pé. Eita coceirinha gostosa!! Tempo bom era aquele...