segunda-feira, 10 de junho de 2013

Cheiros e sensações

Durante a minha infância, muitos cheiros e sensações me marcaram. Uns mais, outros menos. Mas ainda assim, cada um me marcou de uma forma especial.
Dentre todos os cheiros, um cheiro que me marca muito até hoje, é o cheiro de manga. Quando criança, meus tios trabalhavam e moravam em uma fazenda na cidade de Duartina, onde eu morava na época. Eu sempre ia na fazenda, ou com o meu tio, que quando ia na cidade resolver alguma coisa, sempre passava em casa para me levar, ou com as minhas primas, que moravam na cidade, de bicicleta.
Quando ia cedinho, encontrava minha tia na cozinha da “sede” fazendo café. Um cheiro com um toque especial para mim até hoje (é como descubro até hoje quando o meu pai já foi trabalhar, se tem cheiro de café na casa, meu pai já foi. Se não tem, ou ele perdeu hora, ou vai sair depois de mim). Depois de tomar café da manhã, eu, minhas primas e as crianças da fazenda, descíamos pro manguezal que tinha atrás da sede da fazenda. Lá tinham mangueiras de todos os tipos: manda-espada, manga-coquinho, manga-adem e várias outras que eu nem sei o nome, rs. Passávamos sempre um bom tempo brincando ali, no meio das mangueiras. O cheiro me marca muito, pois ali, o cheiro de manga era muito forte. As mangas maduras caíam no chão, e, quando o gado estava solto, passava por ali, esmagando as mangas, ou até mesmo mordendo-as, o que deixava o cheiro mais forte.

Uma sensação e textura que me marcou muito foi a sensação de uma queda de bicicleta. Voltando da fazenda, o freio da minha bicicleta falhou, e eu caí no asfalto. Ralei muito o meu cotovelo direito, e um pouco dos meus dois joelhos. A marca do ralado no cotovelo, tenho até hoje, mas eu não preciso dela para me lembrar da queda. Me lembro como se tivesse acabado de acontecer. Era um fim de tarde. Depois de chegar da escola, minha prima me chamou para irmos na fazenda, pois ela precisava que minha tia assinasse uma autorização para ela. Era horário de verão, então minha mãe deixou. Estávamos voltando por volta de umas 18:00. Era uma descida, e eu ainda me lembro do vento gostoso que batia no meu rosto e balançava os meus cabelos. De repente, a bicicleta começou a ficar muito veloz, e eu tentei frear, em vão, pois os freios falharam, a bicicleta começou a zigue-zaguear na pista, e eu perdi o controle. Ela tombou pro lado, e eu caí. Ainda me lembro da dor que queimava no meu cotovelo, do cheiro de asfalto e sangue. Ainda me lembro que eu não sabia o que eu fazia, se ria ou se chorava. A minha prima, é claro, gargalhava. Eu, fazia as duas coisas ao mesmo tempo, ria e chorava. Ainda lembro do som da gargalhada da minha prima, e ainda me lembro da cara de desespero da minha mãe quando me viu toda suja de sangue. A queda me fez até bem, pois ela mandou o meu pai trocar a minha bicicleta. Era uma Caloi de segunda mão, que nem trocava de marcha. Ela mandou meu pai comprar uma novinha na loja com 18 marchas.

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