Neusa
Ap. de Lima (Mãe da Angela)
MINHA
PEQUENA...
Angela
era um bebê lindo, com os olhos claros e gordinha. Era um bebê
muito risonho, sorria para todos que olhavam para ela. Demorou a
andar, andou com um ano e quatro meses.
Lembro-me
da primeira vacina (BCG) que aquela criatura pequena teve que tomar.
Chorou um choro tão sentido, que chegou a me apertar o coração.
Chorei junto com ela. Depois desse dia, sequer tive coragem de furar
sua orelha.
Lembro-me,
também, do primeiro dia que Angela foi à escola, tinha apenas 6
(seis) anos. Ficamos na fila da entrada cerca de meia hora. Até aí,
Angela estava firme para entrar. Entretanto, quando os portões se
abriram e os professores pediram para deixa-la na fila, seus olhos
encheram de lágrimas, como se ela dissesse:
-
Mãe, não me deixe aqui sozinha.
Nesse
dia, inúmeras crianças deram “show” para não ficarem sozinhas
na escola, longe dos pais, mas Angela engoliu o choro e acompanhou a
professora.
Naquele
dia, eu voltei para o trabalho chorando de “dó” por deixa-la
sozinha.
Angela não deu trabalho para largar da mamadeira. Aos 4 (quatro)
anos, ela ainda mamava na mamadeira. Certo dia, ela acordou e pediu
mama. Eu respondi:
-
Sua mamadeira está suja, vai lavá-la que eu faço seu mama.
Ela
então respondeu:
-
Tem copo limpo?
Eu
disse:
-
Sim
Ela
disse:
Então
faz no copo mesmo!
Depois
desse dia, nunca mais ela mamou na mamadeira.
Angela
demorou a aprender a ler. Não tinha “Cristo” que a fizesse
aprender. Tentava de tudo para fazê-la aprender. Mas ela parecia que
tinha vergonha por não conseguir ler. Eu ficava com dó e parava de
atormentá-la com o “Be-a-ba”. Foi aprender a ler já na segunda
série. Quando aprendeu, finalmente, lia tudo que via pela frente.
Chegava a nos incomodar, lia placas/outdoor/banners, etc. Até hoje
ela lê tudo que vê e sempre está com um livro nas mãos.
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