domingo, 9 de junho de 2013


Lembranças da Minha Infância

               Christiane Rocha, tem 54 anos. Nasceu em Itapetininga, mas sua avó materna morava em Campinas.

          Memória e idade são “grandezas” inversamente proporcionais, principalmente quando tratamos de situações vividas no presente, entretanto, para as ocorridas na infância essa realidade não é verdadeira, uma vez que o idoso tem lembranças muito nítidas dos momentos vividos nessa fase da vida...

          Aos poucos vou cerrando os olhos e resgatando, como num passe de mágica, doces lembranças que com certeza, habitam as profundezas da minha alma. Não sei se são verdadeiras ou “maquiadas”, mas inebriam minha mente e coração.

          De repente, vejo-me brincando num balanço feito de madeira e preso por correntes a um suporte bem resistente. Quando balança para a frente, chega bem próximo a um pé de laranja cravo e o perfume das flores da laranjeira, que são profundamente cheirosas. Ao voltar, o balanço quase toca algumas orquídeas do vovô, que vivem na sombra da mangueira. Ao redor, muitos canteiros e outras árvores, inclusive uma que dá uma frutinha amarelinha, da qual não sei o nome, e que atrai muitos passarinhos. Que delícia, poder novamente estar ali... E nesse vai e vem do balanço, fico horas, todos os dias de minhas férias. Às vezes tenho a sensação de adormecer em meio a tudo isto, mas logo vejo a vovó na janela do banheiro, avisando que está na hora de tomar banho. E assim, passei mais uma manhã. Mais tarde finjo que sou uma costureira e faço muitas bonecas e palhacinhos de retalhos. Nesta oficina,  já aprendi de tudo um pouco: costurar, bordar, fazer tricô e crochê.  No final da tarde volto ao quintal. Sempre brinco de andar num carneiro que parece de verdade, mas é feito de lã. Ele era da mamãe e tenho que ter o maior cuidado para não estragar o bichinho. Alguns dias risco uma amarelinha no chão e brinco até cansar, outros, pulo corda ou jogo 5 marias feito por mim e pela vovó.

          Nossa, o dia está acabando... Passou muito rápido. Está quase na hora do vovô chegar para o jantar. Nessa hora, sempre fico em silêncio, ouvindo tudo que o vovô e a vovó conversam, mas depois disso posso ir ao escritório para ver aqueles livros encantadores. Num deles vejo muitos pássaros com seus nomes e cores estonteantes...! Noutro, animais que nunca imaginei que existissem.

          Agora preciso ir dormir, mas antes disso a vovó vai cantar e contar muitas estorinhas para mim.

          Adormeci , mas tenho certeza que amanhã, ao acordar, poderei viver novos desafios e muitas alegrias...

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