segunda-feira, 3 de junho de 2013

Chupeta



Ela não aparece em muitas fotos. Quando a vejo, encontro-a sempre pendurada em minhas roupas ou próxima ao lugar onde estou. É dela que me lembro. O gosto de borracha babada, mordida, desgastada.

Durante a tarde, na pré-escola a professora diz que não posso usá-la sempre. Entre um momento e outro, corro até minha bolsa, coloco-a um pouco na boca e guardo. Só quando estou triste e chorando muito é que a professora deixa que eu fique com ela.

Depois de muita conversa, acordos e desacordos, naquela tarde eu decidi: "Não vou mais usar chupeta!". Contei pra professora. Festa!! Minha mãe chegou. A professora lhe contou. Festa!! Em casa, joguei fora a principal e as reservas. Mesmo fraquejando, não voltei a usá-la.

O tempo passou. Adquiri outras manias. Esqueci as chupetas e suas cores. Mas, do gosto, do conforto, da segurança que esse gosto tinha... Lembro até hoje. Até tentei chupar uma chupeta de novo, tempos depois. Pedi tanto que minha mãe cedeu. Me comprou uma. Mas aquele não era o gosto da minha chupeta... Não tinha mais aquele gosto de borracha... babada, mordida, desgastada.

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