Memória
Olfativa
Giovanna Rocha tem 23 anos e sempre foi muito imaginativa. Os cheiros têm o poder de transportá-la até para os lugares mais esquecidos em sua memória.
O
sol me acompanhava no caminho de volta da escola. As árvores do bosque
brincavam de fazer sombras pela calçada. Era um longo caminho de pedras cor de areia...
Vovó ia conversando e fazendo ginástica enquanto isso.
No caminho, cheiro da hora da saída: pipoca do carrinho
do pipoqueiro, grama cortada, árvores fresquinhas e ecaa!! Cheiro de onça do
bosque!! Sim, era hora de ir embora!
Chegando em casa, o cheiro de fome pairava pelo ar...O
que será que os vizinhos faziam pra jantar? Na cozinha, minha irmã já comia sua
papinha. Credo, quanta sujeira! Comia até pelas orelhas! Abriu um sorrisão
quando me viu chegar!
- Vó, mas me deu uma fome...
No prato, minha comida não era tão saborosa quanto a que
minha irmã comia, tinha certeza!
O céu já estava lilás e um ventinho gostoso fazia cócegas
em meu nariz. O cheiro de chuva e a cigarra cantando já anunciavam as nuvens
escuras que vinham. E um relâmpago inicia a festa! Pronto! A chuva começava a
cair mansinha no quintal...Hum!! Cheiro de terra molhada e cheiro de onça do
bosque encharcada!!
Como agora era uma cigana feiticeira, dançava feliz na
chuva acompanhando as árvores que também bailavam ao som da água que desabava.
Ouvia os hipopótamos conversando no bosque. Por certo, deviam estar felizes com
a tempestade. Será que gostariam de vir para minha festa? Acho que só a chuva
quis vir festejar comigo. Mas estava tudo bem! Tinha colocado meu vestido de
cigana preferido, muitas pulseiras e até um lenço. Dancei, dancei, dancei...!!!
- Não acredito! Mas de novo na chuva?! Você quer ficar
doente?!
Ixiii...era a vovó!
“Vou ficar aqui escondida e quietinha na minha cabana de
toco de madeira...” Pensei.
Cheiro de madeira molhada, cheiro de encrenca armada.
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