segunda-feira, 6 de maio de 2013

Adaptação

Foto enviada pela professora - primeiras interações da Laura

Primeiro dia na creche. Coincidia com o primeiro dia de aula na faculdade, após as férias de fim de ano. Minha filha Laura tem apenas 6 meses de vida e eu nunca fiquei longe dela, nem por um minuto... A sensação de entregá-la a pessoas desconhecidas, num lugar estranho aos meus olhos é a mesma de arrancarem do meu corpo o meu umbigo, meu ponto de equilíbrio. Saí da creche cambaleando...
Quando voltei para visitá-la, na hora da amamentação, a professora me diz:
- Ela não chorou, mas ficou quietinha, na dela, não interagiu, não quis brinquedos...
E foi assim por uns 20 dias. Todo dia a mesma notícia. Eu lembrava de como a Laura era feliz em casa, como sorria, gargalhava, como interagia comigo. E então eu imaginava ela triste, apática. A professora dizia que ela recusava os brinquedos. O que fazer?
Minha decisão: Trancar o semestre na faculdade. Comuniquei isso ao meu esposo em meio a lágrimas na madrugada de um domingo pra segunda. Disse a ele:
- A partir de amanhã eu não vou mais pra aula. Vou trancar esse semestre.
Na manhã seguinte entreguei a Laura pra professora e fui trabalhar normalmente. Quando chegou a hora de amamentar, a professora me disse:
- Ewelyn, hoje a Laura sorriu pela primeira vez! Eu até tirei uma foto pra te mostrar e deixar você mais tranquila.
Desde então a Laura brinca, sorri e se diverte na creche. Todos ficam impressionados com a agilildade dela, com sua flexibilidade. Está agora com 1 ano e 8 meses, e a nova descoberta é a de que pode se pendurar nas coisas... fica testando sua força em tudo o que pode. Na creche tem aquelas armações de balanço, mas os balanços foram desativados. Laura adora que eu erga -a e a coloque no ponto mais alto, pra se pendurar e balançar o seu corpo....
Eu , como mãe, as vezes fico aflita, pensando que pode se machucar. Mas como educadora,  deixo a Laura se descobrir, perceber suas capacidades, conhecer as funções das partes que compõem o seu corpo. Procuro só interferir em caso de extremo perigo.
Ser mãe já é maravilhoso. Mas ser mãe e ser educadora, conhecedora dos estágios de desenvolvimento de uma criança,e poder acompanhar as descobertas e o crescimento de alguém é uma experiência sublime.
Ewelyn Richieri

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